No universo do OnlyFans, a promessa de fortuna e independência financeira para criadoras tem se confrontado com uma realidade sombria de exploração. Gestores de perfis, os OnlyFans Managers (OFMs), que prometem impulsionar ganhos, estão sendo denunciados por operar em um esquema que rapidamente evolui de suporte para controle abusivo. As primeiras denúncias e relatos chocantes, como o caso de Rebecca, expõem um padrão alarmante de ameaças, coerção e abuso, revelando o lado perigoso dessa ascensão digital.
Das Promessas de Fortuna à Realidade da Exploração
O Modo de Operação dos Gestores de Perfil (OFMs) e as Primeiras Denúncias
Os Gestores de Perfil do OnlyFans (OFMs) operam sob a premissa de otimizar os ganhos de criadores de conteúdo, prometendo atrair mais assinantes e aumentar a receita em troca de uma porcentagem dos lucros. Essa oferta sedutora tem sido apresentada como uma oportunidade de crescimento rápido na plataforma, atraindo muitos usuários em busca de sucesso financeiro e gestão profissional de suas contas, o que inicialmente aparenta ser uma parceria benéfica.
No entanto, as promessas de sucesso rápido rapidamente se converteram em um cenário de denúncias de ameaças, controle excessivo e exploração, conforme revelado por uma investigação da BBC. Relatos de criadoras, como Rebecca (29), indicam que a relação com os OFMs iniciava de forma positiva e colaborativa, com os gestores se mostrando solícitos e eficientes, gerando uma confiança inicial que mascarava os riscos futuros. Rebecca descreveu o começo como “adorável”, refletindo a fachada de profissionalismo e apoio que muitos OFMs cultivam.
O modo de operação dos OFMs, contudo, evoluiu rapidamente para táticas de controle e intimidação. Em poucas semanas, criadoras relataram receber críticas à sua aparência, tentativas de controlar sua rotina diária e até ameaças diretas. A perda de controle sobre os próprios perfis se intensificava quando as criadoras tentavam reverter o acesso ou encerrar a parceria. No caso de Rebecca, após alterar os dados de acesso de sua conta, ela passou a receber mensagens intimidatórias, incluindo uma ameaça explícita: “Vou acabar com você e com sua filha.”
As primeiras denúncias revelaram que os contratos propostos pelos OFMs são um pilar fundamental desse controle abusivo. A investigação da BBC, que analisou documentos e conversas de agentes de gestão e ouviu 60 criadoras no Reino Unido, identificou cláusulas altamente problemáticas. Estes contratos frequentemente estipulam participações de até 70% dos ganhos para os gestores, concedem acesso total às contas dos criadores, impõem multas severas para tentativas de rescisão e permitem a alteração de senhas e dados de acesso. Além disso, há pressão constante para produzir determinados tipos de conteúdo, reforçando a exploração e a submissão das criadoras.
Especialistas em direitos humanos consultados pela BBC alertam que tais acordos criam uma situação de extrema vulnerabilidade, assemelhando-se a uma relação de dependência. A coordenação entre os gestores é evidente em grupos privados no Telegram, onde trocavam estratégias para ampliar o controle sobre os perfis e os pagamentos, solidificando as práticas abusivas. As denúncias iniciais sublinham um padrão sistemático de abuso de poder, onde as promessas de prosperidade são apenas um disfarce para a exploração.
Relatos Chocantes de Ameaças, Controle e Abuso: O Caso de Rebecca
O caso de Rebecca, uma criadora de conteúdo de 29 anos no OnlyFans, exemplifica a rápida degradação de uma promessa de sucesso em uma situação de controle e abuso. Inicialmente atraída por promessas de crescimento financeiro e maior visibilidade, Rebecca ingressou em uma agência de gestão de perfis, conhecidos como OFMs. Segundo seu relato à BBC, a experiência começou de forma positiva, com os gestores demonstrando uma postura cordial.
No entanto, em poucas semanas, a dinâmica da relação mudou drasticamente. Rebecca começou a ser alvo de críticas constantes sobre sua aparência e tentativas de controlar sua rotina diária, evidenciando uma invasão crescente em sua vida pessoal e profissional. A situação escalou quando Rebecca decidiu alterar os dados de acesso de sua própria conta, uma medida de segurança que, em vez de protegê-la, desencadeou uma série de ameaças e intimidações.
A gravidade da situação foi confirmada por mensagens diretas às quais a BBC teve acesso. Entre elas, uma ameaça explícita e alarmante proferida por um dos gestores: “Vou acabar com você e com sua filha.” Este incidente sublinha o nível extremo de coação e intimidação que alguns criadores enfrentam ao tentar recuperar o controle de seus perfis e se desvincular de contratos abusivos com OFMs.
Contratos Abusivos: Cláusulas que Geram Vulnerabilidade e Dependência
A busca por maior visibilidade e rentabilidade na plataforma OnlyFans tem levado criadoras de conteúdo a firmar contratos com gestores de perfis, conhecidos como OnlyFans Managers (OFMs). Estes profissionais, muitas vezes, prometem um aumento significativo no número de assinantes e nos ganhos financeiros, em troca de uma percentagem da receita total gerada. A proposta inicial de otimização e crescimento rápido, no entanto, frequentemente mascara acordos com cláusulas severas que comprometem a autonomia e a segurança das criadoras.
Uma investigação detalhada da BBC revelou que muitos desses acordos contêm disposições que colocam as criadoras em uma situação de extrema vulnerabilidade e dependência. Longe de serem meras parcerias de gestão, tais contratos podem subtrair o controle sobre o próprio trabalho e os rendimentos, gerando um ambiente propício para a exploração e abusos, conforme os relatos de mulheres que tentaram encerrar essas parcerias.
Entre as cláusulas mais problemáticas identificadas, destaca-se a participação exorbitante dos gestores nos ganhos das criadoras, que pode atingir até 70% da receita gerada. Adicionalmente, muitos contratos impõem multas elevadas para criadoras que tentam rescindir o acordo prematuramente. Essa combinação cria uma barreira financeira significativa, tornando extremamente difícil para as criadoras romperem a relação, mesmo diante de abusos ou insatisfação com a gestão, perpetuando um ciclo de dependência.
Outro ponto crítico é o acesso total às contas das criadoras, muitas vezes culminando na alteração de senhas e dados de acesso por parte dos gestores, efetivamente privando as criadoras do controle sobre seus próprios perfis. Essa prática, aliada à pressão para a produção de conteúdos específicos e à constante vigilância, conforme relatado por Rebecca, uma das criadoras, estabelece uma relação de dependência que o advogado Matt Jury, especialista em direitos humanos, compara a uma situação de cativeiro ou servidão.
Esses contratos, portanto, não apenas reduzem drasticamente a margem de lucro das criadoras, mas também as aprisionam em acordos que as expõem a intimidações, manipulação e perda de autonomia. A estrutura dessas cláusulas abusivas, muitas vezes negociadas em grupos privados onde gestores compartilham estratégias de controle, perpetua um ciclo de vulnerabilidade, onde a promessa de sucesso se transforma em uma armadilha da qual é extremamente complexo escapar, facilitando a continuidade dos abusos por parte dos gestores.
A Posição do OnlyFans e o Apelo por Mais Fiscalização no Setor
Em meio às crescentes denúncias de ameaças e abusos por parte de gestores de perfis, conhecidos como OFMs, a posição oficial do OnlyFans tem sido de distanciamento e reafirmação de seus compromissos. Confrontado com os relatos de criadoras de conteúdo que perderam o controle de seus perfis e enfrentaram intimidações, o OnlyFans declarou à BBC que leva a segurança de seus usuários “extremamente a sério”.
Contudo, a plataforma destacou que não mantém uma relação direta com as agências ou gestores de perfis que operam dentro do seu ecossistema. Essa postura implica que o OnlyFans se posiciona como um intermediário entre criadores e assinantes, mas não como um empregador ou supervisor direto dos agentes terceirizados que prometem otimizar os ganhos dos criadores.
A ausência de um vínculo direto entre o OnlyFans e os OFMs cria uma lacuna regulatória significativa, deixando muitas criadoras em situação de vulnerabilidade. Os relatos de contratos abusivos, com participação de até 70% dos ganhos para os gestores, acesso total às contas, multas por rescisão e pressão para produzir conteúdos específicos, expõem as deficiências na fiscalização do setor. Essas práticas, que incluem até ameaças de violência, evidenciam a urgência de uma maior responsabilização e de mecanismos de proteção mais robustos para os criadores de conteúdo.
Diante desse cenário, há um apelo crescente por mais fiscalização, tanto por parte da própria plataforma quanto de órgãos reguladores externos. A necessidade de implementar diretrizes claras para o funcionamento de gestores de perfis, assegurar a transparência nos contratos e oferecer canais eficazes para denúncias e resolução de conflitos torna-se imperativa para garantir um ambiente de trabalho seguro e justo para as criadoras de conteúdo digital.
Fonte: https://olhardigital.com.br

Yuri Martins é um entusiasta em tecnologia apaixonado por explorar as últimas tendências e inovações do setor. Desde a infância, ele se fascina com a capacidade da tecnologia de transformar vidas. Com vasto conhecimento, Yuri compartilha dicas e insights em seu blog e redes sociais, tornando a tecnologia mais acessível para todos.






