O Papel Crucial da Amazônia e a Ameaça do El Niño
Mecanismo: Como o El Niño Afeta a Fotossíntese e a Floresta
O El Niño altera profundamente o mecanismo fundamental da fotossíntese e, consequentemente, a saúde das florestas tropicais. Normalmente, as árvores absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera através de pequenos poros nas folhas, conhecidos como estômatos, para o processo de fotossíntese, convertendo-o em biomassa. No entanto, este processo é extremamente sensível à temperatura e à disponibilidade de água, fatores diretamente impactados pelo El Niño.
Em condições de calor e seca intensificadas pelo El Niño, as plantas reagem fechando seus estômatos para minimizar a perda de água por transpiração. Embora esta seja uma estratégia de sobrevivência, impede simultaneamente a entrada de CO₂, essencial para a fotossíntese. A paralisação da fotossíntese compromete o crescimento da árvore e, em casos extremos, leva à sua morte. Com a morte e decomposição das árvores, o carbono previamente armazenado em sua biomassa é liberado de volta para a atmosfera, transformando a floresta de um sumidouro em uma fonte de carbono.
Estudos, como o publicado em 2023 na revista Nature Climate Change, confirmaram que durante eventos severos de El Niño, como o de 2015-2016 – quando as temperaturas em terra excederam a média em pelo menos 1°C – partes significativas das florestas tropicais sul-americanas deixaram de absorver carbono. As florestas localizadas nas bordas mais secas da Amazônia, onde as árvores já enfrentam períodos regulares de escassez hídrica, mostraram-se as mais vulneráveis, registrando uma perda média de 0,5% de seu carbono acima do solo para cada aumento de 0,5°C na temperatura.
Impacto na Mortalidade de Árvores e Falha Hidráulica
Além de afetar diretamente a fotossíntese, o El Niño eleva drasticamente a taxa de mortalidade de árvores nas florestas tropicais. Durante o El Niño, a mortalidade anual pode subir de 1,8% para 3%. As árvores de médio e grande porte, com diâmetro superior a 20 cm, são as mais suscetíveis, com suas taxas de mortalidade chegando a dobrar.
Os pesquisadores atribuem a essa mortalidade elevada, especialmente em árvores maiores com madeira menos densa, ao fenômeno da falha hidráulica. Sob condições de seca e calor extremo, a intensa demanda de umidade da atmosfera gera uma tensão insustentável na coluna de água dentro da árvore, causando uma ruptura similar à de uma corda esticada. Este colapso impede o transporte de água e nutrientes vitais, levando à morte da árvore.
A Metodologia do Estudo e Suas Principais Conclusões
A pesquisa, publicada em 2023 na prestigiada revista Nature Climate Change, desvendou o mecanismo pelo qual a Floresta Amazônica pode transitar de um sumidouro vital de carbono para uma fonte de emissões durante eventos climáticos extremos. Liderado pelo cientista Tom Pugh, da Universidade de Birmingham, e contando com a colaboração de mais de 100 pesquisadores, o estudo oferece uma compreensão aprofundada dos impactos do El Niño nas florestas tropicais sul-americanas.
Metodologia de Investigação
Para alcançar suas conclusões, os pesquisadores empregaram uma metodologia robusta e de longo prazo. O estudo envolveu o monitoramento de mais de 500 mil árvores, abrangendo mais de 4.000 espécies distintas em seis países sul-americanos. Este esforço monumental foi realizado ao longo de um período de mais de 30 anos, garantindo uma base de dados temporalmente extensa e espacialmente diversificada.
A coleta de dados consistiu no uso de fitas métricas para monitorar regularmente o crescimento das árvores. A partir dessas medições detalhadas e contínuas, os cientistas foram capazes de calcular estimativas precisas do carbono armazenado na biomassa acima do solo das florestas tropicais.
Principais Conclusões e Impactos Observados
A principal conclusão do estudo é que, durante eventos intensos de El Niño, as florestas tropicais da América do Sul podem reverter seu papel de absorvedoras de CO₂ e começar a liberar carbono na atmosfera. Este fenômeno foi observado durante o El Niño de 2015-2016, quando temperaturas em terra firme excederam a média em pelo menos 1°C, resultando na paralisação da absorção de carbono por parte significativa das florestas.
A capacidade das florestas de absorver CO₂ através da fotossíntese e convertê-lo em biomassa é intrinsecamente ligada à temperatura e à disponibilidade de água. Em condições de calor e seca acentuados, as plantas reagem fechando os poros de suas folhas para conservar água, o que, por sua vez, impede a absorção de CO₂ e interrompe a fotossíntese. Quando as árvores sucumbem ao estresse climático, o carbono acumulado em seus troncos é liberado gradualmente na atmosfera durante o processo de decomposição, um efeito que pode persistir por décadas.
Os resultados demonstraram que as florestas mais secas, localizadas nas bordas da Amazônia — regiões onde as árvores já enfrentam períodos regulares de escassez hídrica — foram as mais vulneráveis. Nessas áreas, um aumento médio de 0,5°C na temperatura levou a uma perda de 0,5% do carbono armazenado na biomassa acima do solo.
A taxa de mortalidade de árvores nas florestas tropicais sul-americanas aumentou de 1,8% para 3% ao ano durante o El Niño. No entanto, o impacto foi desproporcionalmente maior em árvores de porte médio e grande (com mais de 20 cm de diâmetro), cuja taxa de mortalidade efetivamente dobrou durante o período de estresse climático.
Foi notado que árvores maiores, com madeira de menor densidade, morreram em proporção muito maior do que as árvores pequenas e aquelas com madeira mais densa. Os pesquisadores atribuem esse padrão à falha hidráulica, um fenômeno em que a intensa demanda de umidade da atmosfera rompe a tensão da coluna de água interna da árvore, comprometendo sua capacidade de transportar água e nutrientes e, consequentemente, levando à sua morte.
As Árvores Mais Afetadas e o Fenômeno da Falha Hidráulica
O Alerta para 2026: Um El Niño de Risco Sem Precedentes
Fonte: https://olhardigital.com.br

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