Metadados de PDF: Como a PF Desvendou a Fraude Multimilionária do Banco Master

O Esquema de Fraude Multimilionária e os Envolvidos

A ‘Linha de Montagem Digital’ Para Criar Documentos Fictícios

A investigação da Polícia Federal revelou uma sofisticada ‘linha de montagem digital’ desenvolvida para criar, em larga escala, documentos fictícios que davam suporte a cessões fraudulentas de crédito consignado. Essa estrutura combinava a extração de dados reais, automação por meio de softwares específicos, o uso de ferramentas de edição e manipulação de arquivos PDF, e a aplicação de assinaturas digitais. O objetivo era gerar uma volumosa documentação para formalizar operações inexistentes, especialmente entre a Tirreno Consultoria e o Banco Master, totalizando R$ 7,15 bilhões em movimentações fictícias.

O Fluxo de Produção Automatizado

O processo iniciava com a extração de dados de clientes de operações antigas diretamente dos sistemas internos, organizando-os em planilhas que serviam como base para a criação dos novos documentos. Em seguida, a ferramenta de mala direta do Microsoft Word era empregada para a geração em massa, como demonstrado na produção de 2.700 procurações em lote. Para a manipulação de arquivos PDF, programas desenvolvidos na linguagem C# eram utilizados para extrair páginas específicas, incluindo aquelas destinadas a assinaturas, e gerenciar o conteúdo digital.

Após a criação dos documentos e a separação das páginas de assinatura, as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) recebiam assinaturas digitais. Finalmente, todos os arquivos eram reunidos e organizados em dossiês completos, prontos para serem apresentados como evidência das supostas cessões de crédito. A PF encontrou, por exemplo, um arquivo contendo 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento, evidenciando a escala dessa operação.

A Tentativa de Ofuscar Pistas Digitais

A fraude se estendeu à tentativa de ocultar rastros. Funcionários buscaram remover datas e outras informações cruciais dos arquivos, acreditando que apagariam as evidências. Entretanto, a própria documentação digital, por meio de seus metadados e registros criptográficos, forneceu pistas sobre a cronologia e as alterações realizadas. Exemplos incluem Cédulas de Crédito Bancário com datas futuras no corpo do documento, mas assinaturas digitais registradas em datas diferentes, revelando a adulteração.

A manipulação não se limitou aos contratos e procurações. Comprovantes de transferências via SPB e PIX também foram alvos de alteração. Conversas interceptadas mostraram, por exemplo, Allan da Silva Machado, então gerente de Operações do Banco Master, instruindo a remoção de informações como o evento, o número do contrato e o histórico, que continham referências às operações originais, na tentativa de apagar os vínculos com a fraude.

Metadados e Assinaturas Digitais: As Pistas Cruciais da Manipulação

A Tentativa de Apagar Rastros em Comprovantes e as Preocupações da Auditoria

A Reconstrução da Cronologia e a Prova da Fraude pelo PDF24

Fonte: https://olhardigital.com.br

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